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QUAL A "VERDADEIRA" PERMACULTURA? EXERCÍCIO DE REFLEXÃO.

 

Como exercício de reflexão, achei importante relembrar e frisar, que a “Flor da Permacultura” é constituída por várias pétalas.

Acho o conceito e o design bastante felizes. Para além de serem inspirados em algo de orgânico como uma flor, não hierarquizam em termos de preponderância as várias vertentes da Permacultura.

Neste símbolo (podemos chamar assim) todas as pétalas têm igual tamanho ( não existe hierarquia), e todas emergem de um centro de princípios éticos de base, portanto filosóficos e teóricos (como todas as fundamentações de princípios gerais), ainda que criados na forja da experiência.

Na imagem da Flor, apercebemo-nos de que uma pétala não pode sobreviver sem ir beber à fonte, por assim dizer, sem estar assente nos princípios éticos que a sustentam e nutrem, mas que também a une a todas as outras pétalas e à unidade global da Flor no seu conjunto.

Assim, a Permacultura é um conceito holístico. Olhar a parte só faz sentido se tivermos em conta todo o conjunto. Na parte está o todo, e no todo estão as partes em relação sistémica harmónica.

È como uma sinfonia. Se eu colocar apenas o oboé a tocar, não tenho uma sinfonia. O oboé faz a sua parte, é importante e fundamental para a harmonia do conjunto, mas se não tocar em interacção com todos os outros instrumentos e não seguir a regulação do maestro (os princípios éticos), não temos uma sinfonia. Temos apenas um oboé a tocar. Não temos Permacultura, na minha opinião.

Considero, por tudo o que tenho lido e aprendido convosco e com as fontes onde tenho ido beber, que falar de Permacultura, é falar de todas (reforço o todas) as pétalas da Flor em interacção harmónica.

Se eu defender, por exemplo, que apenas a pétala do “Manejo da Terra e da Natureza” (ou outras) é que é a “Verdadeira Permacultura”, então não estarei a ver a Flor como um todo, na minha opinião. Estarei apenas agarrado (e desgarrado) à pétala que talvez me dê um sentimento de auto-importância, ou que me permita criar um novo negócio à volta de alguns conceitos da Permacultura (que passam a slogans publicitários de angariação de clientes), ou por qualquer outra razão muito humana.

Neste site tenho aprendido bastante, e recolhido informação e contactos que considero importantes e ricos.

Já estive de enxada na mão a trabalhar a terra, já vi novas propostas de desenvolvimento económico sustentável, já estive em contacto com conceitos e práticas de novos modelos educacionais, e perante propostas de práticas que geram saúde e bem estar, etc, etc.

O que me tem permitido crescer e aprender com este site, tem sido a variedade de propostas e de reflexões, tendo todas (ou quase todas) como “centro da Flor” os Princípios Éticos.

Há uns dias, fiquei incomodado com algumas posturas e “vozes” dentro deste site, que pareciam que me queriam “calar” (e não só a mim) no meu interesse em aprender e partilhar sobre todas as “pétalas” que constituem a flor. Estas vozes pareciam arvorar-se como as “vozes verdadeiras e certificadas Permacultura”. Como se a “verdadeira permacultura” fosse apenas a pétala que é a sua bandeira. Não considero que seja assim. Considero que a “verdadeira permacultura” são todas as pétalas, que respeitem os princípios éticos, e trabalhem em sinergia harmónica com todas as outras.

Na minha opinião, que é humilde, mas que ainda assim é uma opinião que acho que deve ser considerada (e não calada através do abuso tóxico, que na minha opinião não segue os Princípios Éticos), a “verdadeira permacultura” é a “Flor” na sua totalidade, em vibrante harmonia de vida e de cultura.

Agradecendo a Adriano Jordão e a João Leitão, que elaboraram e actualizaram a Flor que podemos encontrar neste site, partilho-a para nos relembrar a todos (a mim sempre) qual a “Verdadeira Permacultura”.

 

     

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Comentário de Álvaro Ferreira em 4 abril 2011 às 14:15

Muito obrigado, Tiago. Interessantíssimo comentário.

Realmente tudo está interligado, mesmo quando achamos que não está. Nada existe sem ser inserido em relações de interdependência. A cultura ocidental, tradicionalmente, tem a tendência para compartimentar de forma estanque as várias áreas da vida, da natureza e da existência humana.

Muitas culturas têm a clara percepção de que tudo está ligado em sistemas de influência recíproca.

A ciência ocidental, e ainda bem, está cada vez mais a apropriar-se dessa noção de sistema.

Obrigado, uma vez mais.

Abraço.

Comentário de Tiago André Leitão Duarte Santos em 4 abril 2011 às 2:11

Tenho que concordar no geral com tudo o que foi dito aqui. Acrescentando que para mim à muito que deixei de conseguir ver as pétalas.. vejo a flor da permacultura mais como um jarro.. uma única pétala. 

E tenho que admitir que continuo a achar que o design (na permacultura) não deve surgir apenas da função ou técnicas adoptadas. Tal como a arte deve ser de cariz intuitivo ou mesmo primervo. 

Se fores a uma aldeia remota todos os seus habitantes, costumes, habitações, rituais e objectos parecem convergir a riqueza da forma, da cor, da função e do simbolismo. Já se pusermos um hipermercado junto desta mesma aldeia remota, o desastre cultural e social acontece quase automaticamente. Como saber em que universo de influências se situam alguns dos nossos gostos?

Lembrei-me disto porque sinto sempre que na cacofonia de uma floresta tropical a natureza continua a ser um designer exímio ao conseguir sempre transpirar interconectividade. E a meu ver, conto pelos dedos de uma mão as comunidades que conseguiram atingir essa simbiose entre o criado (objectos e habitações) e o natural.

Dos estudos que tenho feito sobre esta temática, penso que a solução é muito similar ao treino do "tiro com arco japonês" que no fundo é uma prática que se aplica a toda a vida e que defende que a nossa acção deve sempre caminhar da intelectualidade para a intuição pura.

Quanto às convicções próprias, são para mim um resquício do sistema educacional ainda vigente. A única ferramenta de comunicação que necessitamos realmente de aprender é o diálogo (não confundir com debate).

 

Comentário de Álvaro Ferreira em 1 abril 2011 às 20:15

Já existem certificações de Permacultura que implicam a aprendizagem e a habilitação nas " 7 Pétalas da Flor ". Não se ficam só pelo Design, ou pelo "Manejo da Terra e da Natureza", ou por uma ou outra esfera "desgarrada". Pretendem que a Permacultura seja um todo integrado, envolvendo todas as vertentes, todas as "pétalas". Como exemplo, envio dados sobre um curso destes, e o seu programa. Infelizmente é no Brasil, mas acredito que possa servir como referência de uma visão mais abrangente da Permacultura e da sua "certificação".

Fonte: http://sitiosaofrancisco.wordpress.com/in-pdc/

"inPDC – INTERIORIZAÇÃO E INTECÂMBIO EM PERMACULTURA DESIGN COLETIVO -

CERTIFICAÇÃO EM PERMACULTURA COLETIVA VOLUNTÁRIA 

 

 

O

 inPDC VOLUNTÁRIO ! – O inPDC Voluntário é um Programa de Interiorização e Intercâmbio em Permacultura Design Coletivo e Voluntariado, criado pelo Coletivo Permacultores em 2007(quando ainda compartilhava do Coletivo). Uma nova modalidade de intercambiar conhecimentos e cursar Permacultura voluntariamente.  O inPDC Voluntário são vivencias educativas continuadas, em Design de Permacultura Coletiva, que visam propagar seus conhecimentos práticos, coletivos e voluntariamente. A Interiorização e o Intercâmbio em Permacultura Coletiva e Voluntária se desenvolve na forma de cursos vivenciais de imersão profunda nos princípios e práticas da Permacultura. O curso como um todo é disposto em Módulos Temáticos (semanais), conforme os princípios desenhados na Flor da Permacultura proposta por David Holmgreen, um dos fundadores do conceito perma+cultura. A partir do desenho da Flor, o Voluntário elabora em conjunto com a equipe do Sitio Sao Francisco os módulos temáticos de seu interesse para criar assim seu inPDC. Aí, as atividades do voluntário são agendadas, integrando a escala de trabalho que os moradores do sitio está envolvido na semana.  Caso o Voluntário cumpra todos os 7 Campos do Saber da Permacultura representados nas 7 Pétalas da Flor da Permacultura, ele recebe ao final seu Certificado inPDC Voluntário. Toda esta vivência em Permacultura Coletiva gera custos que são previstos pela Permacultura como forma de um Investimento Ético, que o voluntário faz para retro-alimentar o programa e sustentar a si mesmo. Neste investimento está incluso a Certificação, os cursos em Módulos Pré-Agendados, material didático, hospedagem, alimentação, boas risadas e transporte local para o trabalho.O Programa de Interiorização e Intercâmbio em Permacultura Coletiva e Voluntária está aberto a receber pessoas de perfil dinâmico e interessadas na ética-prática da Permacultura. Conheça mais a Permacultura e venha intercambiar conosco!A FLOR DA PERMACULTURA – Segundo David Holmgren.inPDC Voluntário

Programa de Interiorização e Intercâmbio em Permacultura Coletiva e Voluntariada

Campos de Conhecimento

Ações Práticas

1 – Manejo da Terra e da Natureza

 

* Cultivo de verduras / plantas na floresta

 

* Banco de sementes

 

* Extrativismo

 

* Horticultura bio-intensiva

 

* Agricultura orgânica e biodinâmica

 

* Jardins Comunitários

 

* Aquacultura integrada

 

* Agrossilvicultura e técnicas florestais integradas com a natureza

 

* Captação de água (keyline)

 

* Manejo holístico de campos

 

 

 

2 – Posse da Terra e Governo Comunitário                  

 

* Título nativo

 

* Coletivos, Cooperativas e ONGs

 

* Resolução de Conflitos

 

* Eco-vilas e co-habitações

  

 

 

3 – Espaço Construído

 

* Captação e reuso de água

 

* Bio-arquitetura

 

* Materiais de construção naturais

 

* Construção pelo proprietário

 

* Reciclagem e Reuso Criativo

 

* Design passivo para energia solar

 

* Energias Renováveis

 

 

 

4 – Ferramentas e Tecnologias

 

* Energias Renováveis

 

* Ferramentas manuais

 

* Soluções econômicas de transporte

 

* Reduzir, reutilizar e reciclar

 

 

 

5 – Educação e Cultura

 

* Educação em casa

 

* Ecopedagogia e eco-alfabetização

 

* Leitura de Paisagem e Espírito do Lugar

 

* Arte e Música Participativa

 

* As 3 Ecologias e Pesquisa Ação

 

 

 

6 – Saúde e Bem-Estar Espiritual

 

* Parto e aleitamento em casa

 

* Saúde Preventiva

 

* Medicina Holística

 

* Morte Digna

 

* Capoeira, Yoga e outras disciplinas de corpo/mente/espírito

 

 

 

7 – Economia e Finanças

 

* Contabilidade EMergética

 

* Investimento Ético

 

* Agricultura Apoiada pela Comunidade

 

* Produtos de Comércio Justo

 

* Trabalho Voluntário

 

* Sistemas Locais de Trocas e Serviços

 

* Consumo Consciente

 

Comentário de Álvaro Ferreira em 1 abril 2011 às 19:53
Abraço, Victor.
Comentário de Victor Coelho em 1 abril 2011 às 19:26

 Obrigado por esta reflexão, como contribuição para a divulgação da permacultura partilhei na minha página do facebook.

Comentário de Álvaro Ferreira em 1 abril 2011 às 15:02
Obrigado Pedro, pelo teu contributo importante.
Comentário de Álvaro Ferreira em 1 abril 2011 às 14:27

Olá Catarina, estou muito agradecido pela tua partilha.

Senti-me profundamente tocado pelas tuas palavras, para além de me ter identificado bastante com elas.

Fez eco em mim a tua sensibilidade e inteligência.

Muito obrigado.

Comentário de Álvaro Ferreira em 31 março 2011 às 14:33

Maravilhosa partilha, Luis.

Obrigado pela tua lucidez e inteligência, que também me ensinam e enriquecem.

Abraço.

Comentário de Luís Amaral em 31 março 2011 às 14:22

Caro Álvaro, (... restantes amigos)
Mais uma vez "sintonizados".

Das tuas palavras gostava de ressaltar:

"[...] Quem se pretende possuir "a verdade", ou melhor, "a certeza", termina sendo intolerante em aceitar outros posicionamentos. [...] O moralista [...] in-tolerante com os que possuem valores diferentes, [...] carrega a ambição de impor a todos  seus valores, como certos.

[...] a construção de uma civilização [...] realmente “livre e tolerante” requer uma certa “militância” (e) uma dedicação à “causa”, operacionalizada através acções que não se pretendem “intolerantes” ou totalitárias, que caiam numa espécie de proselitismo violento, mas que ainda assim pretendem uma reeducação social ou uma reformulação de modelos e valores [...]"

Quero ainda sublinhar que, por mais diversas, contraditórias ou controversas sejam as idiossincrasias ou epifanias de cada uma das "pétalas" desta nossa já extensa e riquíssima "rede social", é e sempre será opção de cada um de nós aceitar, tolerar e integrar ou rejeitar e excretar, sem que isso implique uma entrópica cristalização de posturas ou pensamentos, nem justifique ataques pessoais gratuitos e violentos.

Por vezes há que saber fazer reverberar os sons e as melodias, ao mesmo tempo que se silenciam e abafam os ruídos e as dissonâncias, sem que para tal seja necessário levantarmos as nossas vozes ou "erguermos" as nossas razões. Tão simplesmente o silêncio basta...

De facto, tal como oportunamente sublinha o Gonçalo, há uma espiral que se justapõe a cada uma das pétalas e que, interligando-as, lhes confere dinâmica, sentido e justificação.

Certamente todos temos consciência que cada um está em determinado "nível" ou estágio de evolução... Certamente que cada um dos membros desta "rede" nela procura coisas, informações, suporte, partilhas, estímulos (e tantas outras coisas) diferentes. Isso não valoriza uns em detrimento de outros. Pelo contrário, a todos enriquece e reforça "imunidades".

Há necessidade de "anti-corpos" que testem as "defesas".
Todas as vozes, sintónicas ou dissonantes, podem nos servir para evoluir e avançar.
Apenas em nós reside a opção de as vermos como obstáculo ou como estímulo.
Somos nós, cada um de nós, quem decide o seu destino e o grau da sua felicidade.

Agradeço-te pois Álvaro, mais uma vez, estes breves mas importantes momentos que o teu esforço de reflexão nos proporcionam.

 

"A liberdade dos outros, leva a minha até ao infinito".


;-)

Comentário de Álvaro Ferreira em 31 março 2011 às 12:09

Olá Fátima. Agradeço-te vivamente o teu contributo.

Concordo contigo. Uma pessoa que tem atitudes e comportamentos intolerantes ou abusivos, não é "má", no sentido metafísico do termo. É ela própria fruto de ambientes tóxicos, abusivos, intolerantes. Se um ser humano crescer num ambiente onde a intolerância, a arrogância, o abuso é "normal", poderá com grande probabilidade ter tendência a ser abusivo. Foi o tom que aprendeu para se defender, para ser "ouvido", para sentir que tinha poder e sentimento de importância, num ambiente que o violentava na sua dignidade.

Eu vivi isso na "pele" e por isso é saber feito de experiência, mas também de muito estudo posterior.

Por isso tenho defendido neste fórum a importância das "pétalas" da Educação e Cultura e da Saúde e Bem Estar.

Eu vivi um longo e profundo caminho de "reabilitação existencial" e de "reabilitação afectiva e relacional". Por tudo o que vivi, mas por tudo o que estudei e experimentei, tenho a convicção de que se não "cuidarmos das pessoas" (as que estão perto, não como conceito abstracto e longínquo, como os “meninos em África”), acabamos por não produzir grande transformação para uma sociedade de “Permacultura”.

Poderemos ter muitos campos cultivados, muitos alimentos para comer, mas viveremos no deserto agreste da intolerância, do abuso, da solidão acompanhada.

Muito obrigado Fátima, por teres dado o teu contributo importante.

Abraço.

 

Projeto ENERGIZAR

Economia de Transição

Somos uma Rede Social, com mais de 6.000 membros, especializada na facilitação de vida a Empreendedores de Transição para as Sustentabilidades.

Impulsionamos a Permacultura como filosofia e método de design em Portugal desde janeiro de 2009.

Fomos pioneiros na adaptação do Modelo de Transição à cultura e economia portuguesas!

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