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O Desenvolvimento Sustentável: emergência de um conceito & as Metodologias Participativas de Intervenção para um Desenvolvimentos Sustentável

Emergência do conceito - Desenvolvimento sustentável

Emergência do conceito

O conceito de desenvolvimento sustentável vem se construído desde de 1970 em fóruns mundiais, em que a dimensão económica, social e ambiental eram uma preocupação (Silva, 2008), e foi pela primeira vez publicamente enunciado em Agosto de 1979, num simpósio das Nações Unidas sobre o meio ambiente e desenvolvimento (Veiga & Zatz, 2008:38) com ênfase nos anos 80 no documento Nosso Futuro Comum[1] realizado pela primeira-ministra da Noruega, Gro Harlen Brundtland, que apelidou a Comissão e o relatório com o seu nome, Brundtland. O documento apresenta a definição para desenvolvimento sustentável, como sendo, aquele que é capaz “de garantir que as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras atenderem também às suas” (CMMAD, 1991: 9), o Relatório de Brundtland inicia apelando a mudança com a sua primeira frase “Uma agenda global para a mudança”. Silva (2008) refere que Sachs inseriu a dimensão espacial e cultural ao conceito de desenvolvimento sustentável.

O conceito de desenvolvimento sustentável surge como uma crítica ao desenvolvimento que era visto como infinito num meio ambiente finito[2] o que torna o desenvolvimento como um mito para 2/3 da população mundial e para a restante como um aparente desenvolvimento. Em 1971, no encontro Founex, pela primeira vez foi abordado a dependência entre o desenvolvimento e o meio ambiente procedendo-se em 1972 a Conferencia das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, ocorrida em Estocolmo, onde o conceito de ecodesenvolvimento foi abordado, está conferência foi sucedida por encontros e relatórios[3] (Sachs, 2009; Scotto, Carvalho & Guimarãoes, 2009).

Em 1987, como já referido, a Comissão Brundtland fala no desenvolvimento sustentável formulando um documento intitulado Nosso Futuro Comum ou Relatório Brundtland que se encontra dividido em três partes (Parte I – Preocupações comuns, Parte II – Desafios Comuns, Parte III – Esforços comuns) que deixam, bem presente, a necessidade de união para traçar caminhos de forma a alcançar a sustentabilidade com base num plano de acção global. Após 20 anos de encontros e relatórios internacionais culminaram, em 1992, no encontro na Cimeira da Terra[4] no Rio de Janeiro (conhecida também como Rio-92)[5], em simultâneo acontecia um Fórum Global[6] com a sociedade civil internacional que discutiram questões internacionais sobre o meio ambiente e desenvolvimento (Amaro, 2012a, 2004; Scotto, Carvalho & Guimarães, 2007; Sachs, 2009).

Desenvolvimento Sustentável

O conceito de ecodesenvolvimento ou desenvolvimento sustentável tem como pilares a harmonização de objectivos sociais, económicos e ambientais. Sachs (2000: 66) cita Friedmann (1996) para relembrar que “o crescimento económico não é mais tido como a preocupação cega de crescimento por si mesmo, mas como uma expansão das forças produtivas da sociedade com o objectivo de alcançar os direitos plenos de cidadania para toda a população”.

Amaro (2004: 56) diz que o desenvolvimento sustentável determina três exigências:

- a da solidariedade intergeracional; - a da integração da gestão dos recursos naturais (da reservas limitadas dos não renováveis e do ritmo de reprodução dos renováveis) nas estratégias de desenvolvimento; - e a da durabilidade dos processos de produção e consumo inerentes ao desenvolvimento, implicando a adopção de uma lógica de «steady-state» (ritmo sustentável de equilíbrio entre a entrada de «inputs», o processo de «throughputs» e a saída de «outputs», na interacção entre o subsistema económico e o sistema ecológico)

Para Sachs (2009), desenvolvimento sustentável é um processo que melhora as condições de vida das comunidades humanas e, ao mesmo tempo, respeita os limites e a capacidade de cargas dos ecossistemas, que são comunidades sustentáveis de plantas, de animais e de micro-organismos.

Buarque (1999. In Simão et al., 2010: 41) ressalta que esse processo para a sustentabilidade eleva oportunidades para a sociedade e provoca uma mudança social. Além disso, compatibiliza, no tempo e ao longo dele, e também no espaço, o crescimento e a eficiência económica, a conservação ambiental, a qualidade de vida e a equidade social, partindo de um claro compromisso com o futuro e com a solidariedade entre gerações.

Neste sentido, o imperativo ético do uso da terra tem como fronteira um empréstimo, ou seja, “não herdamos a terra dos nossos pais mas pedimos emprestado aos nossos filhos”. Sendo assim, ser sustentável é não destruir a resiliência dos ecossistemas, ou seja, “é permitir que a humanidade se alimente sem destruir as suas fontes de nutrição” (Veiga & Zatz, 2008: 36). Contudo, desde o século passado que desastres ambientais têm vindo acontecer colocando em causa os valores éticos perante a existência dos actos humanos na terra.

Desastres ambientais

Não podemos falar de desenvolvimento sustentável sem realizar uma reflexão sobre os desastres ambientais, que colocaram os ecossistemas do Planeta terra em vias de extinção, tal como aconteceu com algumas civilizações (exemplo dos Maias):  

1914 - I Guerra Mundial; 1945 - II Guerra Mundial; quedas das bombas atómicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagadaki, no Japão; 1954 - Bomba de hidrogénio detonada pelos Estados Unidos no Pacifico Ocidental; 1986 - acidente num reactor na Base Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia; 1987 - Brasil, um cantoneiro encontrou na lixeira um aparelho de radioterapia que continha Césio-137 (material radioactivo), espalhado pelo dono da sucata por ser um pó azul muito bonito o que causou a morte de muitos habitantes.

Todos estes acidentes causaram um grande impacto ambiental de difícil cálculo e as suas consequências ainda hoje são notadas, o que nos leva a ter uma preocupação crescente com a atitudes tomadas por todos nós e, não pudemos ficar indiferente com a não ratificação do protocolo Kyoto, bem como quando os países industrializado compram aos países subdesenvolvidos emissões de CO2. Estes comportamentos têm vindo a por em causa o desenvolvimento sustentável, olhado só para um crescimento económico permitindo que a sua consequência seja o subdesenvolvimento dos 2/3 da população mundial, ou seja, o subdesenvolvimento é produto do desenvolvimento como defendem vários autores (Amaro, 2012a; Castro 1973; Gómez, Freitas & Callejas, 2007).

Os acidentes mencionados levam a alterações climáticas que tem preocupação crescente desde a Rio-92 (1997 foi assinado o Protocolo de Kyoto não ratificado pela China, Estados Unidos e, a Austrália ratificou-o o em 2007). Contudo as causas das mudanças ambientais existiam antes do aquecimento global, neste sentido, os cientistas dividem-se entre os pessimistas[7] e os optimistas[8], ambos querem um mundo melhor e consideram urgente que haja esforços internacionais nesse sentido (Veiga & Zatz, 2008: 33). Os optimistas dizem que quando os países conseguem o seu desenvolvimento colmatam os problemas ambientais, será? Pois não é o que se tem observado.

Soluções

Não existindo receitas mas várias iniciativas para que se consiga um desenvolvimento sustentável importa reflectir sobre algumas.

Georgescu-Roegen (1994. In Veiga & Zatz, 2008) afirma que é necessário proibir a guerra e o armamento bélico, ajudar os países subdesenvolvidos, existir um decréscimo da população, evitar o desperdício das energias, apostar na energia solar e solucionar os problemas e riscos da energia nuclear, ter contenção com os objectos supérfluos (gadgets), acabar com as modas, apostar na reciclagem e reduzir o tempo de trabalho e redescobrir a importância do ócio.

Os autores Herman E. Daly; Amartya Sem; Celso Furtado e Ignacy Sachs (In, Veiga & Zatz, 2008) defendei o “caminho do meio”, ou seja, o desenvolvimento qualitativo, em que se substitui fontes de energia “sujas” (petróleo, carvão, gás) por “limpas e renováveis, bem como pensar o desenvolvimento sem crescimento. O paradigma do “caminho do meio” inspirou a Declaração de Cocoyoc, em 1975, e influenciou o relatório What Now, em 1975 que reflecte “um outro desenvolvimento, endógeno (em oposição à transposição mimética de paradigmas alienígenas), auto-suficiente (em vez de dependente), orientado para as necessidades (em lugar de direccionado pelo mercado), em harmonia com a natureza e aberto às mudanças institucionais” (Sachs, 2009).                                                                                                                                                           

Para existir desenvolvimento sustentável será necessária liberdade, com protecção dos direitos humanos e com o aprofundamento da democracia todos terão de ser uma unidade de cidadania.

Como pode ser medido o desenvolvimento e a sustentabilidade

Para se poder medir desenvolvimento sustentável vamos pensar como medir em separado o desenvolvimento e a sustentabilidade.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)[9] é uma espécie de hodómetro do desenvolvimento. Veiga (2010: 85) enuncia Sen e Mahbud que nos dizem que “só há desenvolvimento quando os benefícios do crescimento servem à ampliação das capacidades humanas, entendidas como o conjunto das coisas que as pessoas podem ser, ou fazer, na vida. E são quatro as mais elementares: ter uma vida longa e saudável, ser instruído, ter acesso aos recursos necessários a um nível de vida digno e ser capaz de participar da vida da comunidade”.

O Relatório 2004 de Desenvolvimento apresenta um conjunto extensivo de indicadores distribuídos por 33 quadros e 200 indicadores, que combinam: a esperança de vida à nascença, as taxas de mortalidade de menores de cinco anos e as taxas de alfabetização, acesso à água potável, hiatos entre homens e mulheres. O PNUD admite que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é o ponto de partida, resulta da média aritmética da renda, escolaridade e longevidade humana, conduto é incompleto pois não mede a capacidade da participação nas decisões que afectam a vida das pessoas e do respeito que as mesmas gozam dos outros na comunidade. O Butão país pioneiro na inclusão do indicador da felicidade para a medição do desenvolvimento da sua comunidade pois o IDH não ilustra com clareza a diferença entre rendimento e bem-estar (Veiga, 2010: 83- 88).

A sustentabilidade tem sido uma preocupação para a Comissão para o Desenvolvimento sustentável (CSD) que publica, em 1996, o documento “Indicadores de desarollo sostenible: marco y metodologías”, conhecido como o “Livro Azul” que continha um conjunto de 143 indicadores que no ano de 2000 foram reduzidos a 57 e posteriormente reduzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 17 organizados em cinco temas essenciais: “atmosfera[10]”; “terra[11]”; “oceanos, mares e áreas costeiras[12]”; “biodiversidade[13]” e “saneamento”. Contudo este conjunto de indicadores continuava a ser contraproducentes porque são índices compostos por várias variáveis. No Fórum Económico Mundial, em 2002, um grupo de pesquisadores apresentou um conjunto de 68 variáveis referentes a 20 indicadores essenciais, com um índice de 5 indicadores representados na tabela abaixo.

Dimensão e Indicador

Números de variáveis

(1   sistemas ambientais)

 

Qualidade do ar

3

Quantidade de água

2

Qualidade da água

4

Biodiversidade

2

Qualidade dos solos

2

(2)   Stress

 

Redução da poluição do ar

5

Redução da poluição da água

4

Ecossistemas

2

Consumismo e desperdícios

2

Pressão demográfica

2

(3)   Vulnerabilidade

 

Subsistência Básica

2

Saúde ambiental

3

(4)   Capacidade SocioInstituicional

 

Ciência & Tecnologia

3

Capacidade de debate

4

Governança  ambiental

8

Setor privado: capacidade de resposta

5

Ecoeficiência

2

(5)   Responsabilidade Global

 

Participação em esforços multilaterais

7

Redução de “transbordamentos”

4

Emissões de gases de efeito de estufa

2

Total

68

 

Tabela 1 – Número de variáveis dos 20 indicadores.

Fonte: Veiga, 2010: 177

Veiga (2010: 175-176) explica as cinco dimensões com base nas justificações dos pesquisadores.

Em primeiro lugar, é necessário que os sistemas ambientais vitais sejam saudáveis e não entrem em deterioração. Também é essencial que os estresses antrópicos sejam baixos e não causem danos aos sistemas ambientais. Em terceiro, a alimentação e a saúde não devem ser comprometidos por distúrbios ambientais. Em quarto, é preciso que existam instituições, padrões sociais, habilidades, atitudes e redes que fomentem efectivas respostas aos desafios ambientais. E, em quinto, há que cooperar para o manejo dos problemas ambientais comuns a dois ou mais países, além de reduzir os “transbordamentos” de problemas ambientais de um país para o outro.

Contudo, ainda faltam indicadores, como por exemplo para: a degradação dos solos, teor de chumbo no sangue, fragmentação dos ecossistemas, segurança de reactores nucleares, proporção de materiais reciclados, perda de terras húmidas, concentração/emissão de metais pesados, impactos da disposição de resíduos e lixos, efectividade das regulamentações ambientais, etc…

Muito ainda à afazer pelo desenvolvimento sustentável de forma a encontrar as variáveis e os seus indicadores. E, a sociedade civil deverá ter um papel activo e participativo nesta iniciativa como está a suceder na Rio+20 em que estão representados 97 países pelos seus ministro mas também estão grupos que representam a sociedade civil. As iniciativas individuais são igualmente um contributo de alerta e sensibilização, bem como representam um papel activo de cidadania em prol do desenvolvimento sustentável.

Actividade para uma consciencialização do desenvolvimento sustentável

O conceito de sustentável ou sustentabilidade é referido presentemente para descrever a relação do modelo de desenvolvimento e o meio ambiente, contudo, o conceito foi apossado pelo “marketing ambiental associado a interesses inescrupulosos de quem se locupleta do (…) «movimento de manada» para lançar projectos equivocadamente rotulados de sustentáveis” (Trigueiro, 2008: 2) o que não traz consenso ao conceito, por outro lado, a produção teórica sobre o conceito não é abundante.

Neste sentido, é importante alertar a sociedade civil para uma consciência do real significado do desenvolvimento sustentável. No dia do ambiente, 5 de Junho de 2012, a Quinta Sementes d´ Estrela[14] organizou na FNAC, em Leiria, uma tertúlia sobre Permacultura e Cultura de Sustentabilidade, onde fui uma das oradoras.

Iniciei a tertúlia com uma dinâmica de grupo participativa “chuva de ideias”[15], ou seja, primitivamente distribui um livro, a cada um dos 9 participantes, sobre desenvolvimento sustentável com um postite e uma caneta, de seguida pedi para que descrevessem, no postite, numa palavra desenvolvimento sustentável e o que presentemente faziam para a concretização de um desenvolvimento sustentável.

Perguntas

Respostas

 

Descreva desenvolvimento sustentável numa palavra.

A vida a perdurar; Partilha consciente; Otimização dos recursos;   Sensibilização; Acção interligada; Resiliência/impermanência; Moderação;   Harmonia Homem Terra; Futuro

 

O que faz para concretizar o desenvolvimentos sustentável?

Respeito a natureza reciclo, reutilizo, diminuo o consumo;

Estudar permacultura e tentar pôr em prática os seus princípios;

Reduzir o consumo de bens desnecessários ou prescindíveis;

Horta biológica;

Comunicação na passagem da ideia, teorização da sustentabilidade por   parte da classe política e económica;

Consciencializar as pessoas, e prepara-las para aceitarem e adoptarem-se   as mudanças, criando um mundo melhor;

Contenção de gastos, água, luz…

Ser exemplo de mudança para viver em harmonia com a terra, comigo e com   todos os seres;

Partilha dos excedentes.

Tabela 2- Dados produzidos na dinâmica de grupo “Chuva de Ideias”

Poderá ser concluído que os participantes da tertúlia têm uma consciência do desenvolvimento sustentável, contudo, superficial. Optam por comportamentos pessoais (reciclar, reutilizar, diminuir o consumo de água, luz e bens desnecessários ou imprescindíveis, e produção do seu próprio alimento – hortas biológicas) e locais (consciencialização das pessoas, utilização de metodologias que respeitem a natureza - permacultura), demonstram uma consciência do poder local (teorização da sustentabilidade por parte da classe política e económica). Neste sentido, o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação e de mudança de consciência do individual para o global com intradimensões entre si com base económica, cultural, social, ambiental, espacial e temporal.

Neste sentido poderá concluir-se que a tertúlia contribui para uma concientização do desenvolvimento sustentável dos participantes.

Metodológica de Intervenção participativa

 

Importa reflectir o conceito de comunidade, que segundo Gómez, Freitas e Callejas (2007: 135) “é um espaço de vida social onde se configuram de forma constante múltiplas e complexas interacções entre indivíduos e colectivos que vivem e convivem com laços de solidariedade e intercâmbio de significado específicos e do seu território, da sua língua e cultura e das suas vivências individuais e comuns”, tendo em importância está definição a participação dos cidadãos nos processos de intervenção é fundamental, bem como a da administração pública e os recursos comunitários devem ajustar os seus papéis dentro da comunidade para que seja possível um processo de mudança que equacione o bem-estar e a qualidade de vida da comunidade.

Desde o início dos programas de intervenção comunitária que a participação directa da comunidade é estimulada no processo de construção das actividades dos programas de intervenção, na América Latina, o que originou a investigação participativa como metodologia de intervenção participativa, que leva as comunidades a terem um conhecimento mais profundo das suas reais necessidades e ter consciência que terá de se capacitar para as resolver.

Para Amaro (2012b) o conceito de participação está ligado ao de: desenvolvimento participativo, cidadania participativa, bem como com ao democracia participativa. A participação é um processo de mudança a partir das comunidades, ou seja, passagem de beneficiários para actores/sujeitos dessa mudança. Segundo o autor, existem diferentes concepções da participação: - a concepção tecnocrata (baseada na perspectiva do Banco Mundial que mobiliza os recursos humanos para a concretização dos projectos, mão de obra barata, mas não envolve a comunidade na concepção do projecto); - a concepção política-formal (baseada na democracia representativa de proximidade); e, - a concepção corporativa (baseada na possibilidade de auscultação ou até da participação efectiva de grupos e interessados organizados a partir da sociedade civil). E, - a concepção de desenvolvimento (participativo), ou seja,

Processo de desenvolvimento activo de (potencialmente) todas as pessoas da comunidade, de forma individual e colectiva, nos processos de mudança e de procura e construção do seu bem-estar, em todas as componentes que lhe dizem respeito (desde o diagnóstico e a concepção, até à avaliação, passando pela direcção/coordenação e execução), implicando uma lógica de autonomização e “empowerment, ou seja, de capacidade de iniciativa de decisão (liberação própria).

Quintina (1989. In Gómez, Freitas & Callejas, 2007: 137) menciona que a investigação-acção ou participativa é uma tecnologia, ou seja, é uma metodologia medida de acção-reflexão como Freire (2005) defende na “Pedagogia do Oprimido”. Neste sentido, importa que o principal agente de acção para a sua mudança seja a comunidade.

Quintina (1989. In Gómez, Freitas & Callejas, 2007: 138) diz que para se conseguir uma participação da comunidade é necessário:

a)       consciencializar a comunidade das suas necessidades e dos factores que condicionam as mesmas;

b)       dotar a comunidade de habilidades e capacidades para tomar as decisões adequadas para solucionar as suas necessidades;

c)       conseguir o compromisso da comunidade na acção transformadora  da sua realidade e;

d)       facilitar a autogestão da acção transformadora, de forma a que se realize com independência dos sistemas de controlo que pretendem manter a ordem estabelecida.

Mwagiru, Thomas-Slayter e Ford (1994) referem que a investigação participativa incorpora vários estilos e procedimentos para sistematizar os dados e conhecimentos novos de acordo com o nível de consciência política e as capacidades e habilidades dos indivíduos que constituem os grupos de trabalho, para que os mesmos compreendam a informação transmitida pelos três níveis de comunicação de forma escrita, oral e visual.

Como desenvolver uma metodologia de participativa

Lammerkink (2012) enuncia passos importantes para o desenvolvimento de uma intervenção em que a participação das comunidades, refere que algumas actividades continuam durante todo o processo, que todas as decisões a nível local são tomadas pelos membros da comunidade, que todo o processo deve fortalecer a organização, que o plano de intervenção deve assentar sobre os valores da comunidade, necessidades e recursos locais, deve-se desenvolver o melhor entendimento de princípios, de práticas de gestão, de novas imagens de um futuro possível e de fortalecimento de respeito mútuo entre o processo e inovação.

Para Mwagiru, Thomas-Slayter e Ford (1994: 41) a metodologia participativa é:

Una metodologia simple que permite enfocar los problemas del desarrollo desde el punto de vista de una pequeña comunidad, y permite a las comunidades (…) participar en la preparación y ejecución de los Planes de Manejo de los Recursos de la Comunidad.

Para Lammerkink (2012) a implementação de metodologia participativa é possível se: - a formação de grupos de facilitadores forem interdisciplinares e mistos em género, idade e cultura; - o trabalho deve ser em equipa com uma colaboração efectiva assente em habilidades de escuta, questionamento, de observação e de confiança mútua; - é importante praticar os princípios participativos em equipa, para se obter uma ideia global de experiências na própria comunidade e elaborar em equipa de um plano de trabalho.

O desenho do plano de acção deve obedecer a fases participativas de: diagnóstico, Identificar os problemas e soluções, experimentação, sustentabilidade.

Plano de Acção para uma Intervenção Participativa do Desenvolvimento sustentável

Como já referido para que haja desenvolvimento é necessário a existência de um conjunto de indicadores, onde os mais elementares são, como já referido, “ter uma vida longa e saudável, ser instruído, ter acesso aos recursos necessários a um nível de vida digno e ser capaz de participar da vida da comunidade” (Veiga, 2010: 85), bem com para se ser sustentável a que ter em conta as 5 dimensões e os indicadores representados na tabela 1, da presente pesquisa.

Neste sentido, foi desenvolvido um plano de acção com base nas metodologias participativas, para mitigar as dificuldades que a actual crise está a impor aos condóminos, do Condomínio Adília (onde resíduo), ou seja, 50% dos condóminos não consegue fazer fase a despesas do condomínio, o que está a por em causa a gestão do mesmo. Partido da dificuldade sentida foi pensada uma intervenção que facilitasse a auto gestão do condomínio, ver anexo II.


 

CONCLUSÃO

O desenvolvimento sustentável é um projecto colectivo da e para a sociedade conseguir garantir, no presente e no futuro, a sobrevivência das comunidades e dos ecossistemas. Podendo ser discutido como a forma para entender o conflito entre o crescimento económico e a finitude dos recursos naturais. Sendo assim, para que se considere que o desenvolvimento seja sustentável é necessária a verificação pela observação do espaço, das actividades económicas, das questões sociais, da preocupação ambiental e dos aspectos culturais.

O desenvolvimento sustentável torna se possível quando as comunidades e toda a sociedade civil encontrar o seu papel activo dentro deste processo. Presentemente decorre no Rio de Janeiro a Rio+20, que só terá o seu impacto efectivo se a sociedade civil intervir participativamente em todo o processo, deixando de ser espectadora a passe a ser actriz da Rio+20.

Tendem cada vez mais a ocorrer, movimentos em prol do desenvolvimento sustentável, ontem dia 21 de Janeiro, no Rio de Janeiro enquanto decorria a Rio+20, teve lugar um protesto com mais de 50 mil pessoa que lutavam por melhores condições de vida para todos, sendo representativo, o protesto, mostra um papel activo de cidadania dos seus participante, o que me leva a acreditar que é possível um retrocesso na destruição dos ecossistemas que permitem a vida no planeta Terra.

Importa também uma especial atenção as metodologias utilizadas para envolver a comunidade neste processo complexo de mudança de comportamentos. Os técnicos deverão ser mediadores desse processo de mudança e capacitadores das comunidades, para que, as mesmas, tenham percepção da necessidade da mudança e as habilidades/capacidades para efectivarem essa mudança.

Neste sentido é importante replicar movimentos, iniciativas, tertúlias, etc… em prol do desenvolvimento sustentável participativo.


 

BIBLIOGRAFIA

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AMARO, Rogério Roque (2012a). Palestras na unidade curricular Seminário sobre Teorias e Práticas do Desenvolvimento II, ministrada no Mestrado em Desenvolvimento, diversidades Locais e Desafios Mundiais.

AMARO, Rogério Roque (2012b). Palestras na unidade curricular Metodologias de Intervenção para o Desenvolvimento, ministrada no Mestrado em Desenvolvimento, diversidades Locais e Desafios Mundiais.

CASTRO, Josué de (1973). Subdesenvolvimento: causa Primeira a Poluição. (online) disponível em www.uff.br93-361-1PB.pdf, consultado em 17-06-2012.

CMMAD (1991). Nosso Futuro Comum. (2. ed). Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getulio Vargas.

FREIRE, Paulo (2005). Pedagogia do oprimido. (47. ed.). Rio de Janeiro. Paz e Terra.

GÓMEZ, José Antonio Caride; Freitas, Orlando Manuel Pereira & Callejas, Germán Vargas (2007). Educação e Desenvolvimento Comunitário Local: perspectivas pedagógicas e sociais da sustentabilidade. Porto: Profedições.

LAMMERKINK, Marc P. (2012). Palestras na unidade curricular Educação, Formação e Qualificação de Pessoas, ministrada no Mestrado em Desenvolvimento, diversidades Locais e Desafios Mundiais.

MWAGIRU W., Thomas-Slayter & Ford R. (1994).Introducción al avaluó rural participativo para el manejo de los recursos naturales. In Lammerink, Marc P. & Wolffers (org.) (1994). Seleccion de algunos ejemplos de investigacion participativa. La Haya: Ministerio de Relaciones Exteriores.

SACHS, Ignacy (2009). Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Gramond.

SCOTTO, Gabriela; Carvalho, Isabel Cristina de Moura & Guimarães, Laeandro Belinaso (2009). Desenvolvimentos Sustentável. (4. ed). Petrópolis: Editora Vozes.

SILVA, Christian Luiz da (2008). Desenvolvimento Sustentável: Um modelo analítico integrado e adaptativo. (2. ed). Petrópolis: Editora Vozes.

SILVA, Christian Luiz da & Souza-Lima, José Edmilson de (Orgs.) (2010). Políticas Públicas e indicadores para o desenvolvimento sustentável. São Paulo: Editora Saraiva.

SILVEIRA, Laureano (2001). Detecção, identificação e análise de necessidades de formação e aprendizagem. Matosinhos: Contemporânea.

SIMÃO, A., Silva, C., Silva, H., et al. (2012). Indicadores, políticas públicas e a sustentabilidade. In Silva, Christian Luiz da & Souza-Lima, José Edmilson de (Orgs.) (2010). Políticas Públicas e indicadores para o desenvolvimento sustentável. São Paulo: Editora Saraiva, pp: 35- 54.

TRIGUEIRO, André (2008). In Veiga, José Eli da & Zatz, Lia (2008). Desenvolvimento sustentável que bicho é esse?. Campinas: Autores Associados.

VEIGA, José Eli da (2010). Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Garamond.

VEIGA, José Eli da & Zatz, Lia (2008). Desenvolvimento sustentável que bicho é esse?. Campinas: Autores Associados.


 

ANEXOS


 

Anexo I – Dinâmica de Grupo “Chuva de Ideias”, indutor - Desenvolvimento Sustentável

   

         
   
   

 

   
   

                         

Legenda: Participantes da tertúlia a realizarem a dinâmica

 

   

         
   
   

 

   
   

Legenda: produto da dinâmica

Anexo II – Plano de Acção de Intervenção Para um Desenvolvimento Sustentável com base em Metodologias Participativas

 

 

Tópico geral: “Horta comunitária no Condomínio   Adília”

 

Duração: 58 horas divididas por 18 dias de 11 semanas – o   projecto não acaba com o termino do projecto.

 

 

Objectivo   geral: Fomentar o   cultivo do próprio alimento e da sustentabilidade do Condomínio Adília.

 

 

Participantes: Habitantes do Condomínio Adília.

 

 

     
  
  
  
  

Tópicos

  
  

Objectivo específico

  
  

Técnicas

  
  

Procedimento

  
  

Tempo

  

 

 

 

 

 

 

 

 

1-Diagnóstico para identificar os problemas e soluções.

 

 

 

 

 

 

 

 

1.1-Fomentar   a participação dos condóminos no diagnóstico dos problemas e soluções com o   intuito de gerar compromisso.

1ª semana

1.1.1- Reunião;

 

 

1.1.2- Grupos de   trabalho;

 

1.1.3-Debate de   prioridades;

1.1.1.1-Convocação   de uma reunião extraordinária para apresentar o tema - hortas comunitárias no   condomínio;

 

1.1.2.1-Com os   presentes elaboração de grupos de delegados e de trabalho piloto mistos em   sexo, idade e cultura;

 

1.1.3.1-Elaborar debate sobre o tema e definir os   problemas e o que cada grupo tem como prioritário;

1ºdia/2horas

 

 

 

2ºdia/2horas

 

2ª semana

1.1.4- Visitas aos   condóminos;

1.1.4.1-Visita as fracções que não estiveram presentes   para explicar o que está a acontecer e definir as suas prioridades;

3ºdia/2horas

 

3ª e 4ª semanas

1.1.5-Reflexão para   possíveis soluções – Técnica de Delphi;

 

 

 

 

 

 

 

1.1.6-cronograma da   paisagem ocupada;

1.1.5.1-A Técnica de Delphi   consiste em estimular e despoletar nos condóminos uma reflexão por escrito   [ou desenho] visando a produção de ideias, para isso, os condóminos devem   numa folha branca previamente dada aos mesmos expressar as suas opiniões que   devem ser anónimos e depositados numa caixa que fica na porta principal do   condomínio. A informação obtida é trabalhada pelos grupos de trabalho e   remetida novamente aos condóminos, à que repetir o procedimento mais uma ou   duas vezes, os grupos piloto deverão reproduzir as ideias chaves e apontar as   soluções que possam satisfazer as necessidades encontradas (Silveira, 2001);

 

1.1.6.1- Organizar uma reunião com o intuito de elaborar   um cronograma da paisagem (mapa/desenho) com uma visão futura de como irão   ficar os espaços ocupados pela horta comunitária do condómino e registar e   fotografia a visão actual da paisagem;

4º, 5º, 6º e 7º   dia/2horas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

8ºdia/2horas



[1] Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) criada pela Assembleia Geral da ONU em 1983 em sequência às resoluções da conferência Mundial sobre Meio Ambiente de 1972 (Conferência de Estocolmo) que culmina em 1992 com a conferência para o Meio Ambiente e Desenvolvimento no Rio, Conhecimento como a Rio-92.

[2] Nos anos 80, o desastre nuclear de Chernobil na ex-URSS em 1986 e a crise do socialismo real, cujo ícone é a queda do muro de Berlim em 1989 enfatizaram a limite dos recursos ambientais.

[3]Os movimentos em prol do ambiente foram emergindo tal como anos 70/80 manifestações de: Desenvolvimento alternativo, partido “Os Verdes” (Alemanha), ganhando assim expressão política, parlamentar e governamental, bem como académica (Universidade Brelefeld) e ainda expressão de cidadania com a política dos 3Rs – reduzir consumos, reutilizar produtos e reciclar Matérias (Amaro, 2012a).

[4] Documentos e acordos estabelecidos: “Declaração do Rio, com 27 princípios sobre obrigações ambientais e direito ao desenvolvimento; Convenção sobre Mudança do Clima (assinada por 154 países); Convenção sobre diversidade Biológica (assinada por 154 países); Agenda 21, um protocolo assinado por 179 países que reúne em 40 capítulos e 4 secções (socioeconómicos; conservação e gestão de recursos naturais; fortalecimento de grupos; meios de implantação) propostas de acção para países, visando integrar no marco da sustentabilidade sectores da sociedade civil, sector produtivo e governamental, e os níveis locais, estaduais e nacionais; “Nossa Agenda”, documento elaborado pelos países da América Latina e do Caribe, destacando suas prioridades e entendimentos relativos ao meio ambiente; e, Relatórios nacionais: os diversos países foram convidados a elaborar um relatório nacional sobre meio ambiente e desenvolvimento. O relatório do Brasil para a Rio-92 foi elaborado pela Comissão Interministeral para o Meio Ambiente” (Scotto, Carvalho & Guimarães, 2009: 42).

[5] Passando a mesma a realizar de 10 em 10 anos, estando prevista uma para o corrente ano (Junho de 2012 no Rio de Janeiro) Cimeira da Terra 2012 – Rio + 20.

[6] Documentos formulados: “A Carta da Terra; 36 tratados acordados entre ONGs recomendando políticas e acções sobre diversos temas sociais e ambientais; e, o Relatório denominado Ambiente e desenvolvimento: uma visão das ONGs e dos movimentos sociais brasileiros” (Scotto, Carvalho & Guimarães, 2000: 39-40).

[7] Afirmam que “os actuais riscos ambientais são causados por acções humanas” (Veiga & Zatz, 2008: 2008).

[8] Criticam os pessimistas e não concordam que os riscos actuais sejam causados por acções humanas dizendo que os pessimistas são “catastrofistas ambientais” (Veiga & Zatz, 2008).

[9] Publicado desde 1990.

[10] O IBGE fornece 2 indicadores: consumo industrial de substâncias destruidoras da camada de ozono e a concentração de poluentes no ar em cada áreas urbanas

[11] O IBGE fornece 7 indicadores: uso de fertilizantes, uso de agrotóxicos, terras aráveis, queimadas, incêndios florestais, desflorestando, área remanescente de desflorestando.

[12] O IBGE fornece 2 indicadores: produção da pesca marítima e continental, e população residente em áreas costeiras

[13] O IBGE fornece 2 indicadores: espécies extintas e ameaçadas de extinção, e áreas protegidas.

[15] Ver anexo I, fotografias ilustrativas da tertúlia e da dinâmica.

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Tags: Desastres, Desenvolvimento, Sustentável, a, ambientais, de, desenvolvimento, e, interveção, medir, Mais...metodológias, o, participativa, sustentabilidade

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