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Economia Industrial, Transição, e Permacultura

Viva!

Quando penso na situação que vivemos, nos sistemas de que dependemos, e na forma como podemos evoluir, fico impressionado com a magnitude do desafio.

Na Iniciativa de Transição de Pombal, há algum tempo, fizémos um exercício sobre o dia típico de cada um de nós. Desde o despertar até à hora de deitar. As rotinas. Os produtos e serviços que utilizamos. Desde o alarme do telemóvel, ao banho quente, os dentes lavados, o pequeno-almoço, a roupa que vestimos, os meios de transporte, a Internet, uma qualquer cadeira em que nos sentamos, a cama em que nos deitamos. Tudo depende de sistemas industriais altamente eficientes.

O que já sabemos, é que precisamos de evoluir da eficiência para a resiliência, isto é, duma economia altamente globalizada, para economias locais e regionais muito mais resilientes. Trata-se de um dilema muito difícil de resolver, e ainda mais, sem crescimento económico. Muito do que é mais resiliente, como por exemplo, produção energética local, é tendencialmente mais caro, precisamente quando somos mais pressionados a escolher o mais barato. Na alimentação, parece existir um problema semelhante...

Reconheço o nosso nível de dependência e vulnerabilidade a uma Economia de Crescimento Industrial, e observo, que a Transição para uma Permacultura, vai exigir muito pragmatismo. Se queremos evitar um colapso social e económico repentino, teremos que conviver durante muito tempo com sistemas industriais mais inteligentes, mais locais e regionais, que nos permitam ir fazendo a mudança.

Teremos que repensar o sistema monetário, financeiro, económico, social, e sobretudo, o sistema de crenças dominante, perpetuado todos os dias na televisão, que vai permitindo a consolidação do poder por grupos sociais, muito focados no seu interesse privado.

Teremos que criar os novos sistemas, os novos exemplos, que compatibilizem o interesse privado e o interesse colectivo, que permitam um novo contrato social, novas métricas para podermos avaliar a nossa evolução.

Teremos que perder o medo, do ridículo, da mudança, de arriscar, do sistema, dos poderes de facto, do chefe, da família, dos amigos, do Estado.

Teremos que estudar, trabalhar, inspirar, incluir, em todas as esferas da vida colectiva, e anunciar que é possível!

É possível!

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Tags: permacultura, permaculture, portugal, transicão, transition

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Comentário de Maria Gomes em 2 maio 2011 às 9:29

Pensando melhor, ofereço-me para ser a panela: não quero que o caldo se derrame!

Aposto na nova escola, a sustentabilidade virá daí.

Comentário de Maria Gomes em 2 maio 2011 às 9:09

Conhecem a trempe,uma grelha de 3 pés, que se põe debaixo das panelas, nas chaminés alentejanas intemporais?

Tem a ver com esta discussão, tem: a Sofia Raposo, o João Leitão e o Luís Amaral, são a trilogia ideal para acolher o caldeirão em que vamos cozinhar este novo modelo de sociedade a metafórica.

Se quiserem, podem sempre contar comigo para chegar o lume, já sabem, não saio da chaminé. Parabéns!!!! E, claro está: obrigada até dizer chega :))

Comentário de BEMCOMUM.net em 1 maio 2011 às 22:03
Obrigado Sofia.
Comentário de Maria Gomes em 1 maio 2011 às 9:07

Muito queridos companheiros de luta.

Acho este mais um debate muito útil, não só blá blá.

A entrada do João leva-me a aprofundar mais, a visualizar mais, a rasgar mais um pedaço da «tela cor-de-rosa».

Sim, meus amigos: Viva o medo e a coragem! Os dois opostos se completam. A entropia é que não, isso não, ai isso é que não!!!

25 de Abril 2 é isto. Eu cá sinto-o, e já marchamos por Lisboa com cravos no coração. Utopias? Venham elas! A Utopia nas mãos dum realista é a solução para termos a felicidade a nossos pés.

Bora lá, venha essa simplicidade Voluntária, Venha essa Transição sustentável, venha essa moeda anti-mercantilista, venha o mundo! Nós até estamos a gostar desta adrenalina de ter o futuro nas mãos :)) confessem lá...mas não se viciem na bica diária do há-de ser amanhã...é muito pior que o café e tem efeitos secundários imprevisíveis.

Obrigada pela partilha. A sério, muito a sério, vamos rir.

Comentário de BEMCOMUM.net em 26 abril 2011 às 12:57
O medo tem assim esse duplo papel, por um lado ao conhecermos a condição humana no Planeta, ele aparece. Por outro, é preciso coragem vencer o medo social de pensar e fazer diferente. Viva o medo! Fonte de energia para investirmos na mudança!
Comentário de Victor Mendes em 26 abril 2011 às 2:25
Não teremos que perder o medo mas sim ganhar medo. Aí sim vamos por mãos á obra. Medo do que está a acontecer e irá acontecer á nossa familia se não agirmos. Mas para ganhar medo é necessário conseguirmos retirar a o papel cor-de-rosa que puseram á frente dos nosso olhos. E isso só se consegue com informação e mais informação. Eu consegui e tenho muito medo, mas felizmente também tenho esperança pois também tenho a solução. Descobrindo a causa é fácil descobrir a solução. A minha partilha dos medos e da solução: o video que está em www.NOVACOMUNINADE.org
Comentário de Luís Miguel Dantas em 25 abril 2011 às 23:42

É nesse sentido João que abracei apaixonadamente o PROUT - Progressive Utilization Theory (modelo sócio-económico, proposto por P.R. Sarkar), pois contem ideias viáveis para uma abordagem humana e ecológica para a sociedade e para a economia.

Para se compreender um pouco o que é o PROUT recomendo a leitura do livro "Após o Capitalismo", basta clicar no título!

 

Comentário de fatima colaço em 25 abril 2011 às 15:16

Gosto da frase do Nuno - '25 de Abril' 2.0. Concordo com a necessidade de 'perder o medo'! É: perder o medo do que os vizinhos possam dizer; perder o medo do futuro; perder o medo do 'não ser capaz'. É mais: ter confiança e autoestima; desprezar a preguiça; arriscar e executar o sonho ...............sem querer assentar praça como general, aceitando começar como soldado e ..... -como diz o Luis - realisticamente ir construindo o impossível:)

Tudo é possível, desde que a alma seja grande.......................a tal força anímica exista!!

Comentário de Nuno Melo e Sousa em 25 abril 2011 às 12:02

Teremos que perder o medo

É isso mesmo.

 

Quanto ao caro, não sei. Vivo num local, Alverca, que, por causa duma mudança concertada que aconteceu há 37 anos - o 25 de Abril! - conheceu a construção de (muitas!) casas feita por pessoas que ofereciam o seu serviço como mestres pedreiros. Construíam casas de graça simplesmente porque havia gente sem casa.

Naquela altura surgiram também várias cooperativas alimentares.

 

Vejo que a concertação necessária hoje é ainda mais possível porque podemos nos reunir livremente sem medo de perseguição - naquela altura não.

Vejo que a as Iniciativas de Transição, juntamente com a internet, são a "Caixa de Ferramentas" necessária para fazer o "25 de Abril" 2.0, talvez agora o "25 de Todos os próximos meses" de transição.

 

A exemplo do que Cuba fez, é hoje tanto mais possível mudar através do Poder da Comunidade. Só é necessário que nos juntemos e 1. comuniquemos o que podemos fazer - há muita gente que não sabe e não conhece o que aqui partilhamos e que está sedenta de soluções que elas mesmas podem fazer.

 

Ontem relendo o conteúdo que está na TrasitionNetwork.org reparei onde se falava dos "Dream Circles". Achei a ideia fenomenal. Do modo como lá falavam das experiências que têm feito, acho que ainda nem perceberam o potencial desses "Dream Circles": (quase) tudo o que fazemos antes foi imaginado.

 

O primeiro passo do processo de Transição, o de organizarmos encontros, palestras, visionamentos, etc, contém muito mais do que um processo de divulgação, sensibilização e encontro de pessoas com desejos comuns - sendo estes já de si muito importantes. 

 

Em primeiro lugar contém o poder imenso de ser O Primeiro Passo, o mais importante de todos.

Em segundo lugar contém a possibilidade de uma massa crítica de pessoas poder imaginar o futuro que querem. Não há limites, condições ou impossíveis no que podemos imaginar. E é algo que podemos fazer em conjunto, cada um com as nuances que quer acrescentar. Nem é preciso que estejamos todos de acordo com os detalhes - o que, na prática, significa estar em consenso.

 

Sem retirar força a todas as outras acções que o João falou - estudar, trabalhar, inspirar, incluir... - juntos imaginar fá-las todas possíveis.

 

É possível.

 

 

Comentário de Luís Amaral em 25 abril 2011 às 11:43

Claro que é possível, João!
Mesmo que pareça impossível...

Há uma frase que, desde que tomei conhecimento dela, há já umas boas décadas, passou a ser uma espécie de "cartilha"... uma "reza"... Uma surda "ladainha" repetida vezes sem conta no silêncio dos meus pensamentos.

Há quem me chame idealista, louco, ou visionário... mas desde essa altura que todos os dias, paulatina e teimosamente procuro... SER REALISTA CONSTRUINDO O IMPOSSÍVEL

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