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Cobrador do fraque ou Transição para uma Permacultura?

Viva!

 

Em conversa com um amigo, que sente como muitos de nós, os dilemas com que pessoas, organizações, comunidades, países, e o mundo, estão confrontados, ficou mais uma vez clara a situação bizarra em que a Humanidade se encontra, e em particular, o absurdo de um modelo econónimo e  social, que precisa de crescimento do produto interno bruto, para não colapsar.

 

Portugal, em concreto, tem um problema muito grave de dívida externa, só passível de solução com crescimento económico. Ora, algumas das condições necessárias ao aumento do produto, não existem em Portugal, tal como em muitos outros países. Assim, questiono:

1. É possível voltarmos a crescer economicamente 2 ou 3 por cento ao ano durante esta e as próximas décadas?

Admitindo a possibilidade de tal acontecer pontualmente um trimestre ou outro, durante as próximas décadas, a minha resposta neste momento é: não. Não teremos por exemplo, crédito fácil e barato, energia barata, demografia facilitadora de crescimento, nem capacidade de competir com economias emergentes, e em geral, com outras mais bem preparadas. Ou seja, não conseguiremos pagar a dívida. Felizmente, não seremos os únicos.

2. Se fosse possível crescermos economicamente 2 ou 3 por cento ao ano, seria um bom objetivo de longo prazo para os portugueses?

Não. A Economia de Crescimento Industrial, centrada no exemplo dos Estados Unidos da América é destruidora da vida. De facto, por exemplo, os distúrbios emocionais de um modelo económico hipercompetivo, a tendência para o aumento da desigualdade social à escala global, e dentro dos países, um sistema financeiro caótico e ao serviço da concentração de poder, uma economia baseada em obsolescência programada e no aumento exponencial do consumo de desejos artificiais manipulados, o desperdício dos combustíveis fósseis num sistema ineficiente que gera cada vez mais lixo e desperdício, e a destruição maciça de ecossistemas de que dependemos, sugerem que vivemos num modelo económico profundamente doente, irracional, e insustentável. Ou seja, não pode continuar.

Entre o colapso e a ilusão de que o futuro pode ser mais ou menos como o passado, como a televisão, a maioria dos políticos, a maioria dos economistas, e a maior parte da sociedade, vai continuar a alimentar, criemos uma visão realista do futuro, como milhares de pessoas em todo o mundo já estã a fazer.

 

Devemos lidar com inteligência com o cobrador do fraque, mas devemos sobretudo, criar as condições, para que cada vez mais portugueses se orgulhem de abraçar a Transição para uma Permacultura, ou seja, que uma parte de nós se mantenha a manter as estruturas, as empresas, que nos ajudam a não colapsar rapidamente, enquanto outros se dedicam a criar sistemas realmente resilientes e sustentáveis.

 

Fácil é ser radical ambiental ou cúmplice dum sistema destrutivo, díficil é fazer uma Transição que inclua a todos!

Sejamos portadores duma história de genuína esperança! 
 

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Tags: permacultura, permaculture, portugal, transition, transição

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Comentário de fatima colaço em 8 maio 2011 às 9:03

Fantásticos todos vocês 'partilhadores' conscientes! Bem hajam!!

Pois é Sofia, o Saber Saber já aqui está (na TPP); é preciso agora organizar o Saber Fazer para gerar dentro e fora da TPP a tomada de consciência que leve à efectiva mudança, melhor dizendo à TRANSIÇÃO !

Fátima, ok............''o fraque, como as dívidas, é só um (ul)traje''...........Boa!!!!!!

Trajar é revestir o exterior, deixando intacto o âmago, onde se trabalha a vontade de MUDAR!!

E nós, os conscientes (penso eu), podemos e devemos reduzir o numero dos ainda inconscientes!

E vocês, João L, Sofia R e Fátima M.............já o fazem muito bem! Obrigada!

Comentário de Maria Gomes em 8 maio 2011 às 7:55

 Não digas tudo o que sabes
Não faças tudo o que podes
Não acredites em tudo que ouves
Não gastes tudo o que tens

Porque:

Quem diz tudo o que sabe,
Quem faz tudo o que pode,
Quem acredita em tudo o que ouve,
Quem gasta tudo o que tem;

Muitas vezes diz o que não convém,
Faz o que não deve,
Julga o que não vê,
Gasta o que não pode

(provérbio árabe)

 

O fraque, como as dívidas, é só um (ul)traje,

 

Gostava de acrescentar que a nossa situação é uma questão de mentalidade do diz que disse, do talvez e do não sei ou do eu é que «sei».

Também não é só «agindo», a meu ver, que se resolve a questão. É na optimização dos recursos, mas sobretudo o recurso inigualável da CONSCIÊNCIA - a mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original, disse Einstein.

Costumo dizer à minha maltinha aqui de casa: tudo o que te acontece de mal é para teu bem.

Uma visão mais cósmica que planetária irá fortalecer-nos

A deambulação pelas TESES e ANTÍTESES, pode levar séculos, se não houver a mentalidade da SÍNTESE, obtida a partir do vaso vazio da CONSCIÊNCIA.

O que se »aprende», é mais entulho e barulho, não se apreende, não se sintetiza em consciência.

Volto a falar da ECO-ALDEIA DISPERSA, um recurso sem precedentes que está ao nosso dispor. Com o que temos e uma simplificação quotidiana, podemos ser perfeitamente felizes e até prósperos.

Mas despojar-se dos bens, para uma vida simples, supõe despojar-se da tralha que se tem dentro da cabeça também.

O que nos obrigaram a seguir, como via profissional, muitas vezes, mantém a nossa consciência adiada e a visão simples das coisas não acontece.

É fundamental que se tenha conhecimentos adquiridos voluntariamente, para sermos capazes de nos aproximarmos cada vez mais das sínteses indispensáveis à mudança.

Libertar a mente do seu próprio fraque é inadiável. Por favor, queiram ver este método de ensino sem fraque http://vimeo.com/4211517 

Temos todos os recursos necessários para uma sociedade mais feliz.

Em primeiro lugar temos o espaço. Mesmo que seja diminuto, vamos optimizar quintais, varandas, janelas. Encher vasos de composto e sementes vai-nos ajudar a  esvaziar a nossas mente obesa.

O que é necessário é começar a mudar a mentalidade do »fraque»!

Outro recurso que temos: a tomada de consciência. Ser feliz com o desafio que se nos apresenta e ele ser o nosso farol todos os dias.

Partilha. Um recurso que nunca tivemos antes é a partilha de conhecimentos, o possível apuramento das dialécticas através da comunicação virtual, que , bem gerida, pode fazer avançar velozmente as questões, mesmo as mais plúmbeas.

Eu acredito, não só porque quero, mas porque posso acreditar.

Obrigada, João, pelas tuas palavras e por teres criado mais este recurso aqui, que é um grande meio para a mudança de mentalidades.

 

 

 

 

Comentário de Armindo Pereira de Magalhães em 7 maio 2011 às 22:21
Parabens um bom artigo. Crescer não é solução mas sim um problema para toda a humanidade.
Comentário de Maria Gomes em 7 maio 2011 às 17:43

obrigada pelo esclarecimento, João. Bem hajas pela esperança e empenho e então: VIVA A CRISE!

Do ocidente em decomposição, nascerá uma vegetação nova, agora percebi. Quanto mais a verem-se entre a espada e a parede mais gente à procura de alternativas.

Economia artesanal, que tal? A magia, a eficácia da escala humana :))

A crise é um privilégio. É o fermento da criatividade e unidade.

Vamos ser muitos então.

Mas a Originalidade, em certa medida, talvez seja a única alternativa a uma economia saturada.

Quanto à dívida, uma dívida fantasma como esta só requer uma inexcedível coesão cultural, a par das alternativas de poupança.

Fala-se da moeda alternativa.

É viável?

É importante o investimento estrangeiro, mas a que nível? Vender-lhes Portugal a pouco e pouco, ou preservá-lo e fazer das suas virtudes um chamariz para visitantes?

A revolução cultural é muito urgente.

Transição, Permacultura e Simplicidade Voluntária deixam-me, pessoalmente, muito esperançada. A minha enorme gratidão, pela formidável divulgação que delas fazes, João.

 

Comentário de BEMCOMUM.net em 7 maio 2011 às 13:28
Fátima, felizmente, significa que o problema da dívida é sistémico, sobretudo no mundo ocidental, ou seja, revela um problema global, que obriga a repensar o modelo económico e social. Se fossemos os únicos a não conseguir pagar a dívida, dificilmente a Transição e a Permacultura, seriam vistas como ferramentas de transformação cultural e económica globalmente...
Comentário de Maria Gomes em 7 maio 2011 às 12:51

Gostei muito do texto, mas mudava-lhe uma coisa: em vez de «Felizmente, não seremos os únicos» escreveria «Infelizmente (...) Não é bom partilhar a desgraça., mas sim a esperança e as soluções dos problemas.

A Originalidade ( para turismo consciente, gastronomia ecológica, educação, p ex.) pode ser uma fonte de rendimento muito importante e bastante sólida.

Grato abraço universal.

Comentário de Caryn em 7 maio 2011 às 8:29
ou seja Todas pode ser incluída na transição por uma vida mais sustentável, e escolher deles, todo de nos tenho o poder se ser mais feliz! eu foi ensinado na minha curso Design que Permacultura e uma sistema de inclusão, não exclusão!
Comentário de BEMCOMUM.net em 7 maio 2011 às 0:27
Obrigado a todos pelas simpáticas palavras. Claro que se pode partilhar :)
Comentário de fatima colaço em 7 maio 2011 às 0:25
Difícil é ser resiliente na transição inclusiva! Belo e oportuno texto João! Parabéns e obrigada! Cada vez mais, é preciso parar para pensar e arranjar ânimo para mudar! Posso partilhar??
Comentário de Luís Amaral em 6 maio 2011 às 14:02

Reflexão pertinente!

Parabéns e obrigado, João.

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