10 anos de Rede EBC! Fale connosco: +351 239100351 ou hello(at)ebc.pt Renew Europe Entrevista na TSF | Opinião | Sítio institucional Rede EBC.

Programa de Parcerias Locais

Economia de Transição

Somos uma Rede Social, com mais de 6.000 membros, focada no projeto ENERGIZAR.

Misturamos essencialmente conceitos de Empreendedorismo Social com Modelos e Projetos de Desenvolvimento Sustentável (Permacultura, Transição, EBC, BCSD, B Corp) desde janeiro de 2009 pelo gosto de pensar o futuro.

Vídeos

  • Adicionar vídeo
  • Exibir todos

 

Este texto não trata sobre a revelação do Apocalipse, um dos mais misteriosos livros da biblia, mas nem por isso deixa de ser importante... Esta é a revelação do Eucalipto! Este é o texto escrito por alguém que ama a natureza, ama a agricultura natural e segue com muita perserverança e atenção os ensinamentos deixados por um eminente filósofo e naturista japonês – já falecido - de seu nome Masanobu Fukuoka. Esse alguém intui, como cada vez mais pessoas pertencentes á nova geração, que o futuro passa por um regresso á natureza, um regresso ao campo, um regresso á simplicidade de onde outrora todos saímos. E esse regresso á fonte faz-se ao que parece, para que possamos resgatar os valores essenciáis que nos permitam poder avançar, sutentavelmente, como civilização e como pessoas. Esse alguém decidiu construir uma cabana e realizar um projecto pessoal de agrofloresta no meio de um eucaliptal. E foi em meio dessa aventura que a revelação se deu...



Há vida para lá do Eucaliptal?

O que equivale a perguntar se há vida dentro do Eucaliptal! E a resposta é: Há... mas não muita!

Uma floresta de eucaliptos não é um sitio de muito vigor vital... Percebe-se isso passado pouco tempo. Existe vida, existem passáros que cantam, existem alguns ninhos (muito poucos), corujas que diurnam por ali e pequenos roedores que lhes servem de presa. Existem corvos que passam, tintilhões, melros e milhafres que também por ali caçam. Ao nivel do solo tem-se essencialmente silvas e fetos, algumas trepadeiras, heras, giestas, etc. No entanto á medida que as árvores crescem e retiram luz ao solo, as hipóteses diminuem para apenas uns fetos, silvas e fungos. Há vida dentro do eucaliptal? Há, mas pouca...

A diversidade autóctone de fauna e flora da nossa região ainda não deram de todo as boas vindas a este hóspede inesperado, o eucalitpo. E o próprio solo onde o eucalipto é cultivado, e ao qual muito poucos ligam, parece estar ainda a encontrar um equilibrio, uma maneira de interligação entre esta árvore e as espécies locáis. Como devem saber, o solo, a sua acidez ou basicidade altera-se conforme as espécies que são cultivadas. E encontrar uma harmonia entre culturas ácidas e básicas de modo a manter um ph neutro é sempre bom para o meio ambiente. O solo a bem dizer é o anfitrião das culturas que recebe, e é o solo, qual bom anfitrião que harmoniza e encontra equilibrios e elos de ligação entre as várias espécies de vida vegetal.

No eucaliptal onde desenvolvo o meu projecto, rapidamente se nota que as aves não elegem o eucalipto como habitat onde possam fazer nidificação. O eucalipto, derivado ao facto de ter muito pouca ramagem lateral, não serve para esse propósito. Elegem elas com muito mais preferência os sobreiros e os carvalhos para a nidificação. Mesmo apesar destes ultimos estarem abafados pelo crescimento muito mais rápido do eucalipto que inibe o seu crescimento, pois retira-lhes o alimento e a água, altera-lhes a acidez do solo e priva-os da luz. Além disso o recorte longitudinal das árvores da região é muito mais rico e apresenta muito mais possibilidades de camuflagem e de conforto, presumo, para as aves locáis. Ao que parece as folhas em forma de crescente lunar do eucalipto permanecem um mistério para todas as espécies de fauna aqui da região; pois até agora não sabem que uso lhes dar – são intragáveis! E não servem para a construção de ninhos. Apesar de tudo, tenho fé na inteligência dos animáis, algum dia descobrirão e darão uso aos recursos apresentados pelo eucalipto.

Ao nivel do solo, com toda a sua miríade de vida microscópica, nem os fungos parecem ter ainda encontrado maneira de lidar com a madeira dos eucaliptos tombados ou das sobras do corte industrial. Na verdade a madeira de eucalipto demora muito mais vezes a apodrecer e a ser decomposta pelo solo, em comparação á madeira das outras árvores autóctones. Pessoalmente tirei vantagem disso, pois cravo directamente no solo, as toras de eucalipto que servem de base na cosntrução das cabanas e abrigos no meu projecto paralelo de ecoconstrução.

Por todas as razões anteriormente apresentadas, a floresta de Eucalipto não encaixa nunca num sistema de "floresta de alimentos". As florestas autóctones sempre foram florestas de alimentos, pois sempre representaram oportunidades de alimento tanto para humanos como para animáis. Bolotas, castanhas, amoras, raizes das mais diversas, nogueiras, framboesas, figos, ameixas, cerejas etc. Sempre foram os produtos generosos da mãe natureza oferecidos ao homem e aos outros seres animáis. È dizer as espécies autoctones por estarem em equilibrio com o clima, o solo e entre elas, sempre representaram uma possibilidade alimentar básica. É certo que algumas espécies foram trazidas de fora para a nossa região, no entanto a natureza e a sabedoria do homem conseguiram harmonizar e prever essa harmonização ao nosso clima, solo e biodiversidade. Além disso o critério foi na maior parte das vezes ter mais oportunidade de alimentos e não apenas o enriquecimento monetário pela produção de papel!



Mas quem é que teve esta ideia...? E qual foi o critério?

É óbvio que toda esta observação leva sempre á pergunta: de onde surgiu a ideia de trazer o eucalipto para Portugal? E qual foi o critério para a implementação do eucalipto no nosso país? Houve estudos nos impactos que teria sobre a fauna e flora local?

A resposta é muito simples. Nisso como em quase todas as politicas levadas a cabo por um sistema decadente e corrupto vergado unicamente aos interesses monetários e a ambições desmedidas de poder; o critério foi o do costume: mais em detrimento de melhor! E mais quê? Perguntar-se-ão... Simples a resposta: Mais e mais lucro, mais e mais dinheiro, o que corresponderia em certa medida a mais e mais poder. Esse foi sempre o critério de quase toda a politica feita pelos governantes, deputados, ministros, presidentes de junta, autarcas, etc., pelo menos desde o 25 de abril para cá. E o povo a bem dizer, e de alguma maneira, também se deixou enganar por promessas vazias e ilusórias.

A cultura do Eucalipto, nos seus primórdios, representaria um vector muito importante para a ecónomia, nomeadamente para a industria de papel em Portugal. Uma vez que como todos sabem o Eucalipto derivado ás suas características fibrosas é a principal matéria-prima dessa industria.

E os estudos ambientáis fizeram-se? Tiveram-se em conta?

Bom, talvez se tenham feito estudos, mas o presente estado das florestas em Portugal, e o facto de vermos demasiada cultura de eucalipto leva-nos a inferir que esses estudos ou não se tiveram em conta; ou manobrou-se a opinião pública com argumentos de prosperidade que a fizeram desresponsabilizar-se das consequências previstas pelos estudos feitos; ou, por ultimo, esses estudos e os seus autores foram "devidamente" silenciados...

O ser humano pensa, erradamente, por comparação. Logo a cultura de Eucalipto ao ver-se como factor de prosperidade, e ao se alienar e desresponsabilizar das consequências, depressa se tornou moda entre o populacho. Uma moda que daria lucro e por isso, ninguém quereria perder. Todos assistimos a isto em maior ou menor grau – a moda de cultivar eucalipto. Certos programas de "reflorestação" foram feitos exclusivamente com esta espécie. Chamavam-lhe de reflorestação, uma palavra bastante generosa, num programa que pretendia combater os estragos causados pelos incêndios, que estranahamente eram cada vez mais numerosos. Enfim, haveria concerteza gente a aproveitar a oportunidade...

Mas, quase tudo na vida, se bem que a princípio tenha dado lucro, no momento actual, e com tanta oferta deu-se a queda dos preços dessa madeira. Mais, no presente estado de coisas, quero dizer, com esta crise, presumo que já não seja tão compensador a venda desta madeira, nem tampouco existem tantas empresas de papel como existiriam antes da crise começar... Sendo assim resta-me concluir que a oferta é muito maior que a procura, e o preço tenha baixado a níveis que talvez não compensem o trabalho. O Eucalipto sobra agora como resquicío de mais uma das nossas ganâncias mal calculadas. E pior, com a necessidade de se voltar outra vez para o campo, e pela necessidade de espaço para o cultivo, o eucalipto começa agora a ver-se como... inimigo.



O Eucalipto, que futuro, que utilidade?

O Eucalipto apesar de muitas das qualidades que possa ter arrisca-se a ser um projecto falhado de uma política agricola e florestal com falta de tacto e talvez guiada por demasiada ganância. À medida que escrevo o que pretendo que seja o ultimo capítulo deste folhetim, chega-me agora a informação atravês de um livro inglês que diz o seguinte: "A árvore (do Eucalipto) foi introduzida na Europa no séc. XIX como uma espécie ornamental, mas desenvolveu certas características que não aparecem no seu lugar nativo. Em particular, o segregamento de substâncias quimicas que envenenam o solo, inibindo o crescimento de outras plantas na área."

Bom... que mais há a dizer...?

No entanto e em jeito de salvar a honra do Eucalipto, devo indicar que se lhe reconhecem distintas qualidades, nomeadamente qualidades medicináis, na produção de óleos homeopáticos e na medicina natural. E derivado ao facto da madeira de Eucalipto ser resistente aos fungos e ao apodrecimento são-lhe reconhecidas distintas possibilidades na arquitectura nomeadamente na construção de casas de madeira.

Apesar de todos os prós e contras acerca desta matéria, só o tempo e a Natureza decidirão se o Eucalipto encontrará o seu nicho e se harmonizará ou não com as outras espécies de flora e fauna do nosso país. Neste momento, e na minha opinião, as possibilidades são muito poucas.

Resta-me dizer, que gostei muito de escrever este texto, fiz este artigo praticamente sem esforço, pois deu-me prazer escrever sobre este tema. Apesar de não ser um técnico pude observar desde um ponto de vista muito próximo toda esta problemática da cultuta do Eucalipto.E á medida que ia escrevendo ia colhendo mais informação por outros meios que apenas confirmaram o que eu observo no Eucaliptal onde desenvolvo um projecto de Agricultura natural e vida sustentável.

Em jeito de reflexão escolho eu terminar com estas palavras:

O homem pode nunca vir a conhecer a natureza, mas pode esmerar-se nas melhores previsões e pelo menos conhecer-se a si mesmo. Tratar mal a natureza é no minimo um sinal de falta de autoconhecimento!

Exibições: 989

Comentar

Você precisa ser um membro de Rede EBC para adicionar comentários!

Entrar em Rede EBC

Comentário de Marco Filipe da Silva Lucas em 8 janeiro 2013 às 12:17

Obrigado por ler!

© 2019   Criado por BEMCOMUM.net.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Política de privacidade  |  Termos de serviço