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Prevenção do colapso? Desligamento consciente do actual sistema à medida que o novo floresce?

Uma nova realidade socio-económica com foco em gestão comunitária das povoações cresce todos os dias graças aos esforços das pessoas envolvidas em iniciativas de tranisição e relacionados.

Por outro lado, o atual sistema mostra sinais preocupantes de stress. Que esforços conhecem que estão a ser feitos no sentido de prevenir um colapso do actual sistema prevalente (governação centralizada) antes do novo sistema (governação distribuída) estar pronto a substituí-lo?

À medida que o novo sistema começa a ganhar mais importância e compete com estruturas do atual sistema, a governação centralizada poderá vir a travar o crescimento das iniciativas de transição para manutenção do status-quo.

Se pouco ou nada está a ser feito no sentido de coordenar o desligamento consciente do atual sistema à medida que o novo cresce, que opções vêem disponíveis?

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Respostas a este tópico

Se pensarmos que a economia portuguesa está muitíssimo dependente de financiamento externo, para por exemplo, pagar salários a polícias, médicos, professores, petróleo, alimentos, etc., então, a tentativa de melhorar o estado das finanças públicas, pode ser visto como uma forma de prevenir o colapso do sistema centralizado.

A probabilidade de existirem tensões entre sistemas centralizados e descentralizados, que levem ao dificultar da emergência dos novos paradigmas, é grande.

A opção mais inteligente, parece-me ser, cocriar uma Transição inclusiva, que consiga dialogar de forma inteligente com o atual model económico e social e as suas instituições, ou seja, as redes dos novos paradigmas, serem compostas por exemplos muito diversos duma nova economia e cultura. No fundo, é esse posicionamento que a Rede e a Associaçao TPP procuram...

Obrigado pela perspectiva, João. De momento vejo a Rede e a Associação a terem um papel muito forte na criação do novo sistema, no entanto por mais esforço que se faça, tenho receio que possa ser pouco para ajudar as pessoas em "loop cognitivo" no actual sistema a compreender as limitações em que se inserem, em tempo útil.

Estou mais inclinado a acreditar que comportamentos de transição inseridos em modos de pensar semelhante ao "Adere, Vota e Intervém dentro de um Partido. Cidadania para a Mudança" podem ser mais eficazes na actual realidade sócio-económica. Ou por influenciar os militantes nos actuais partidos, ou a criar novos partidos com foco em transição. Mesmo que o resultado seja apenas para criar uma massa crítica de pessoas que desperte. Depois de se atingir o "tipping point", essas estruturas de andaime podem já não ser necessárias tornando a Rede e a Associação organismos com influência suficiente para ajudar a sincronizar ambos os sistemas durante a transição.

Estamos totalmente de acordo.

Eu entendo que o ponto de partida somos nós mesmos, vejo isso por mim.

O 1º objectivo, a meu ver, é tentar agarrar os conhecimentos base que se foram perdendo ao longo dos tempos com a passagem das populações para o litoral, perdendo a ligação com a terra e conhecimentos ancestrais.

Acho que este passo é importante para ganharmos consciência de alguma autonomia familiar, aprendendo as noções básicas de sobrevivência.

Para tal é necessário vontade e uma abertura de consciência.

Só depois poderemos dar o passo seguinte.

Vão me desculpar, mas a meu ver o colapso está em acção. E a adaptação a um novo sistema não será simples, a maioria da população ainda não acredita que vai ter de alterar a sua maneira de viver. Os hábitos de consumo e os ideais de status têm uma forte implementação. E só estou a falar no sistema de governação, se abrangermos o económico a resistência é ainda mais premente. As multinacionais e as grandes empresas não vão deixar o seu poderio facilmente. Temos pela frente uma luta dura, disso não tenho dúvida. E quando muitos de nós encontrarmos formas alternativas de energia e auto-sustentabilidade, e um número significativo não alimentar financeiramente estes lobis a guerra vai ser aberta.

E embora esteja completamente de acordo com o agir localmente, é para mim evidente que nos dias de hoje o processo de transição é necessariamente global.   E para mudar verdadeiramente um sistema nunca poderá ser com as armas habituais, mas sim pela paz e pelo exemplo de rectidão de respeito pelos outros e pelo ambiente, e possivelmente veremos-nos envolvidos em situações em que seremos desafiados à revolta. Não vai ser fácil, amigos.

Se conseguirmos sensibilizar órgãos locais à causa e, aos poucos e poucos, a aderirem ao leque de possibilidades da permacultura, pode ser que a mudança seja menos violenta. Nesse sentido, penso que podemos agir já, aproveitando o desconforto proveniente da tentativa de aglutinação e extinção das Juntas de Freguesia (lá está mais uma vez agindo localmente). 

No que respeito a formações partidárias e afins, não sei se o melhor caminho é percorrer o que já foi percorrido e com as implicações que todos conhecemos (uma mão lava a outra, etc). Eu por mim não partia nada. Integrava todos sem partir.

Cláudia Nabo disse:

a meu ver o colapso está em acção.

Olá Cláudia. O colapso está de facto a desenrolar-se. Por enquanto ainda não chegámos ao ponto de rotura em que nada possa ser feito, é a essa fase drástica do colapso que me estava a referir. 

a maioria da população ainda não acredita que vai ter de alterar a sua maneira de viver

Diria mais precisamente que a maioria da população ainda não compreendeu as limitações do actual modelo socio-económico e alternativas ao mesmo. Acreditar, na minha modesta opinião, é algo melhor deixado para o domínio do metafísico.

Vou tentar simplificar a minha actual visão sobre a transição para que possam compreender e ajudar no que procuro (e me preocupo).

Vejo a 2ª Grande Transição da humanidade [*] para uma economia de pós-escassez assente em três pilares:

1. Permacultura (que nesta rede acredito que todos estejam a par);

2. Tecnologia Livre (seja ela tangível ou intangível - hardware/software/processos/conhecimento);

3. Governação Distribuída (economia gerida por rede(s) de comunidades soberanas e resilientes).

Os dois primeiros pilares já vejo muitos exemplos de transição. No caso da Tecnologia Livre, se ainda desconhecem, sugiro se familiarizarem pelo menos com Open Source EcologyResearch and Do-It-Yourself, e Free/Libre/Open Source Software (recomendo o documentário Revolution OS).

Para o terceiro pilar, a Governação Distribuída, é que tenho encontrado ainda pouco na sensibilização dos eleitores e eleitos ainda focados na governação centralizada. Do lado da criação do novo sistema, felizmente vejo muitas técnicas de comunicação e gestão comunitária como por exemplo Nonviolent Communication, The Art of Hosting e Open Space Technology.

Sónia Bento disse:

[...]é importante para ganharmos consciência de alguma autonomia familiar, aprendendo as noções básicas de sobrevivência.[...]


Viva Sónia, concordo no conceito, discordo na dimensão do esforço. Se te referes a um núcleo familiar de 3 a mais algumas pessoas, é um grupo demasiado restrito em competências, experiência e redundância para um cenário de condições catastróficas. Esta é a perspectiva dos (Modern) Survivalists e Preppers. O elo mais fraco destes esforços familiares é sempre o distanciamento da comunidade. E se houver uma rotura económica e os vizinhos sabem que somos os únicos que temos mantimentos para além de duas semanas? Se os seus descendentes estiverem a passar fome e sede, não vão agir pacificamente. Por melhor Operational Security que se ponha em prática, mais cedo ou mais tarde, é se descoberto ou tem de se fugir.

Já me preocupei demasiado em ser um prepper e cheguei à conclusão que não compensa o esforço, sendo que agora o meu moto atual é: "Se os meus vizinhos estiverem preparados, a minha família está preparada." Ou seja, se for para me preparar para um cenário pós-colapso, acredito ter muito mais chances de sucesso se o fizer juntamente com a minha comunidade.

Sónia Bento disse:

O 1º objectivo, a meu ver, é tentar agarrar os conhecimentos base que se foram perdendo ao longo dos tempos com a passagem das populações para o litoral, perdendo a ligação com a terra e conhecimentos ancestrais.

Pessoalmente até gostaria imenso de ter tempo para me dedicar ao primeiro pilar da transição. Infelizmente essa realidade não está ao meu alcance. No entanto, vejo que posso de imediato contribuir para a minha comunidade no pilar de Tecnologia Livre, dada a minha experiência em desenvolvimento de software.

Neste fio de pensamento, gostaria de deixar uma nota para futura nomenclatura de Associações e afins. A Permacultura é um conceito extraordinário e essencial para a transição. E ao mesmo tempo há que lembrar que não está sozinha. Quando se usa Permacultura em associação à Transição (no caso da ATPP), é análogo, por exemplo se o ACP se tivesse sido chamado "Automóvel e Pneus Clube de Portugal". A Permacultura tornar-se-á implícita à Transição com o tempo, e ao mesmo tempo evitam que outras pessoas vindas de outro background tenham esforços disjuntos como por exemplo a criação de uma Rede e Associação de Transição e Tecnologia Livre Portuguesa ou semelhante. O que está, já foi; nomenclaturas que vierem em diante, sugiro ter esta consideração em mente.

Contudo, no caso de criação de um partido político de transição, até faria sentido ter explícito no nome "para uma Governação Distribuída" pois coloca o objetivo e métrica de sucesso no próprio nome. E ainda tem o benefício de afastar teorias de conspiração de mais uma ideologia para dominar o mundo (por ser distribuído vs centralizado). Enfim, algo para ficar no backburner, caso venha a ser necessário.

Têm mais ideias, têm algo a acrescentar a estas, ou conhecem outros esforços na rede internacional de Transição no sentido da Governação Distribuída?

[*] A 1ª Grande Transição ocorreu com a revolução agrícola neolítica em que a humanidade passou de economia de abundância natural (caçadores-coletores nómadas) para uma economia de escassez. Esta economia de escassez que nasceu há mais de 7000 anos, foi assente em imobilidade para cultivo recorrente, o que levou à militarização feudal/imperial para defesa dos terrenos, e permeou o conceito de posse familiar, bem como competição intra-comunitária.

Tenho que discordar do ponto da governação distribuída. A longo da história a governação nunca surtiu grande efeito. Se o povo, as comunidades estiverem equilibradas com o conhecimento suficiente, não serão necessários hierarquias. 

A hierarquia resulta em medo, desconfiança e muitas vezes dependência.

Ao convivermos com os outros, normalmente já criamos pequenos elos hierárquicos, que possibilitam a vida em conjunto. Dispenso os modelos de pirâmide e de existência de um controle por parte de instituições e afins.

O importante é haver troca de informações sem interesses monetários ou outros, situação que as pessoas ainda não entenderam, pois mesmo aqui há muito negócio envolvido. Não há o interesse simples e puro de ensinar os outros.

Sónia, em qualquer organização sócio-económica terá de haver nós (nodes). Ou se organizam de forma centralizada (que requer hierarquia), ou se organizam com ausência de hierarquia (anarquia). No caso da economia actual são famílias e empresas que alimentam o ciclo de "crescimento", existindo outras estruturas de apoio para garantir regulamentação, em que a governação assume um papel centralizado e hierárquico.

Para garantir os processos de sustentabilidade colectiva, numa governação distribuída, é necessário ajustar o tamanho ideal de um nó. Uma família é demasiado reduzido pelos pontos que já referi, no entanto, uma grande cidade é demasiado extenso. Um meio termo é uma aldeia/bairro/vila (que é o que se observa no movimento de transição).

Um exemplo de uma organização distribuída em que me baseio é a Internet, em que os nós (dispositivos computacionais) estão dispostos forma distribuída, sem hierarquia. No entanto, é necessário alguma coordenação e protocolos para que os nós consigam comunicar uns com os outros (DNS/routing). O que em analogia corresponde à rede das comunidades.

Espero ter esclarecido, posso aprofundar mais se for necessário.

compreendido

Relativo ao conceito de Governação Distribuída, um amigo meu alertou-me para uma entrevista que Carne Ross deu ao i elaborando sobre o assunto (usando "Anarquismo" para descrever). Ainda não tive possibilidade de ler o seu livro.

Para ficar registado aqui nesta thread, existe a Plataforma 231 que visa principalmente reduzir o número mínimo de assinaturas necessárias para se poder avançar com uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos, passando de 35.000 assinaturas para 7.500.

Conheci esta plataforma ontem na estreia nacional do filme In Transition 2.0 em Cascais.

Parece-me uma via interessante de exercer cidadania, isto se for realmente permitido que intervenha como previsto. Embora ainda haja, mesmo assim, muitas restrições a esta participação por parte dos cidadãos. Tanto no que se refere a assuntos em que pode intervir, ou sugerir legislação, assim como, no número de assinaturas... e em breve se pensarem que o "povinho mais informado" pode começar a agir através desta forma, surgirão novos obstáculos ou lacunas legislativas para que este direito não possa ser exercido....

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